30 Maio, 2012

um texto pra ninguém ler



Uma história diferente de todas as outras. Como tem que ser...
Um sentimento que nasce depois de tempos de envolvimento. Quem disse que ele só nasce de baixo pra cima?
Pra mim essa história era só pra ser curtição. Quando a carência batia minha porta, era pra você que eu ligava. Certeza de carinho garantido. Mas envolvimento não queria, não! Pro resto da sociedade podia ser um absurdo. Uma mulher que saia pra encontrar um homem, provocava e era provocada, e o destino certo seria a cama dele. E pronto. Ao final das carícias, cada um seguia seu rumo... Até a carência bater nossa porta novamente.
E assim foi por meses. Por que agora eis que quem bate é a paixão?
Erraste de porta, querida!
Não estávamos (nós dois), disponíveis pra nós, pra um envolvimento maior.
Onde foi que isso mudou?
E agora? Estamos os dois disponíveis?
Não era pra isso acontecer. Mas você vem chegando faceiro, como quem nada quer, traz um vinho, uma comida gostosa, um carinho todo diferente daquele da nossa fuga, fala umas coisas bonitas, me elogia, ri das minhas conversas sem sentido, e balança meu coração.
Era certo pra mim que passado aquele dia era só me afastar por um mês ou mais pra que tudo fosse esquecido e voltássemos pros carinhos descomprometidos, afastados.
Mas você pediu pra eu ficar.
Você pediu pra eu não me afastar.
E eu queria mesmo que você pedisse!
Fiquei.

Os encontros que se sucederam fizeram explodir em mim (porque já devia ter nascido em algum momento anterior que não vi), um sentimento... Desses que faz a gente soltar um "Te adoro!", sussurrado, sem perceber. Até que a gente escuta o "Eu também!", seguido de um beijo apertado, e nos damos conta que tem coisa diferente solta no ar.
E se é pra ser paixão, me sinto pronta pra viver tudo isso! E te digo, porque quero mesmo experimentar essa nova sensação, que há tanto não surgia aqui... É que nem sempre a gente consegue se recuperar rápido das quedas, ainda mais das do coração. O meu demorou pra bater de volta. Cicatrizado, agora tem vontade de se jogar de novo. Masoquista? Talvez seja isso mesmo...

Agora, se sei que vou te encontrar, meu coração já dispara a mil e a ansiedade corre solta na veia. Mas ainda não sei como me comportar na frente dos outros estando ao seu lado. Aproveito pra me desculpar.
Se te encontro em seu trabalho e te abraço sem jeito, te olho com vergonha, não é porque não sinto nada. Pelo contrário! Por dentro, meu coração ainda está disparado e só deseja te abraçar forte e dar um beijo de saudade reprimida.
Se fico por perto, é por querer-te, mesmo que pouco, mesmo que seja só pra olhar teu sorriso de longe. E sorrir disfarçado de volta, escondido. E se meu beijo parece frio, meu desejo é que tivéssemos espaço pro mais longo e apaixonado deles.

Mas preciso de um retorno. Preciso do seu beijo quente de volta, do abraço apertado e das mensagens recíprocas. Não posso amar sozinha. Ninguém pode.
Se joga nesse abismo junto comigo?

"Deixa de pavor pra viver o que nem conheceu"


divagações de um ser em mudança

Nunca imaginei que um dia cairia de novo aqui, nesse beco escuro da paixão.
De quantas maneiras diferentes é possível cair?
A vida é mesmo um mistério bom!

Por tempos meu coração ficou estagnado. Nada nem ninguém era capaz de provocar batidas tão intensas quanto as que tenho sentido nos últimos tempos. Uma vida errada, que me trouxe até aqui. Sabe, é realmente muito complexo entender esses mistérios. Hoje meu coração bate forte ao ler, ao trabalhar, ao atuar com vocês toda semana, ao encontro de pessoas que já são tão especiais, apesar do pouco tempo de conhecimento.
Tempo? Como medí-lo?
Me sinto viva de uma forma que não sentia antes de todo esse turbilhão.
Ai, vida, como você me surpreende!! E é tão bom!
Tudo era tão igual e sem sentido... a vida mesmo. Hoje entendo melhor o que significa ser cada indivíduo um indivíduo.
Mas ainda tenho medo, insegurança.
Mas também, quando deixaremos de tê-los? (Des)cubramonos.

Se cai nesse desespero da insegurança é porque não há conforto. Olho pra mim a cada novo dia e questiono minhas atitudes, meu corpo, meus pensamentos... Transformo-me a cada novo acordar do sol. A cada novo olhar...
Nada é igual.
Eis a magia de viver.

18 Maio, 2012

confusa que sou

"Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor " - Canto de Ossanha, Vinicius de Moraes.

Minha cabeça é confusa. E as vezes preciso vir pro papel pra tentar elaborar(-me) - em seus tantos significados.
Saio de histórias confusas e me meto em confusões talvez piores. Talvez melhores. Mas também a confusão pode estar somente na minha cabeça mesmo... Será?
E me confundo de novo. Feito círculo vicioso.
Cada um com seus vícios.

É que eu gosto um tanto considerável do nosso estar junto. Gosto quando te vejo depois de um certo tempo (tempo razoável pra ter até saudade) e me olha com seus olhos de desejo, que até enrubesço. Gosto quando se aproxima e sussurra em meu ouvido o quanto quer ficar ao meu lado naquele momento, gosto da tua risada sincera e das tuas caras estranhas ao me ouvir falar. Gosto do teu andar descomprometido e torto. E gosto do teu sorriso-bonito, que faz teu olho brilhar e as covinhas nascerem.
Mas gosto também do teu beijo quente, e como me prende entre teus braços, como se quisesse que eu ficasse ali pra sempre. Gosto do teu cheiro e de como ele fica impregnado em minha roupa depois de horas ao teu lado. Gosto do teu suor colado no meu corpo e de como você me agrada em nossas horas mais íntimas. Gosto desse prazer que sinto em te ter ao meu lado.
Mas ao mesmo tempo, não gosto de tantas outras coisas em você. Desse seu jeito que me confunde o que tudo isso significa pra você, esse seu sumiço que me provoca tanto e que não sei se é só seu ou se é nosso, desse descompromisso, desse... Desse jeito com que eu me iludo com nossa história.

Essa semana uma sábia pernambucana, que observou um de meus momentos de confusão mental, me abordou e disse de um jeito rápido e faceiro: "-- Quem muito pensa não casa, viu menina?!"
Na hora ri e embalei uma outra conversa, mas talvez a sábia pernambucana tenha razão!
Não que eu queira casar agora, longe disso. Não pretendo e nem tenho companheiro adequado para tal envolvimento. Mas a fala da moça cabe pra esse meu pensar confuso.
Quem muito pensa não casa, e também não aproveita, não se entrega, não se apaixona, não quebra a cara, não morre de tristeza, não aprende, não se transforma... não vive!

Deixo, então, entregue à sorte. 
Vivendo esse seu descompromisso, que também é meu, sim. Essa nossa liberdade estranha e boa. 

Liberdade.
Assim. Como nunca vivi antes.
Cada um com a sua, vivendo como cada uma acha que deva viver. Fazendo o que cada um acha que deva fazer. E voltando pro colo do outro quando a saudade-vontade grita.
E não me importa se ele cai na gandaia e se envolve com outras pessoas, se tem vontade; como não importa pra ele se eu me envolvo com outros, se tenho vontade.
Fato é que, por enquanto (e quanto tempo durar), é a mim que ele convida pra passar o domingo inteiro juntos. 
Sou eu quem passa o domingo inteiro com ele. É ele quem passa o domingo inteiro comigo.

09 Maio, 2012

Pessoas

É que eu sou eu
Você é você
Ele é ele
Ela é ela
Ele é ele
Ele é ele
Ela é ela
Ela é ela

Cada qual consigo
Cada qual com sua história
Sua bagagem
Suas ideias
Que não são iguais às minhas
Mesmo que sejam.

06 Maio, 2012

b o c a . d e s e j o


Boca
Boca carnuda
Boca vermelha
Boca quente

Boca que pega minha orelha
Que beija meu corpo
Que ri dos meus cabelos

Boca-delícia
Que me descobre inteira
Tirando minha roupa
Tirando meus segredos

Boca que só de ver
provoca vontade de grudar a minha na sua
Até amanhecer

Ah! Fica mais, boca-carinho.